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sexta-feira, 8 de março de 2013

Pará e os investimentos logísticos do Brasil


          O Governo Federal finalmente reconheceu a necessidade de investimentos em infraestrutura, já iniciou processo de licitação para obras em 10 terminais, destes sete em São Paulo (Santos) e três no Pará (Belém, Santarém e Vila do Conde). Ampliou o trecho da ferrovia Norte Sul a ser licitado que agora ligará Açailândia no Maranhão ao porto de Vila do Conde no Pará. Segundo o presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo a dimensão dos pacotes de logística são: R$ 133 bilhões de investimentos em rodovías e ferrovías e R$ 54,2 bilhões em portos.
          Representantes do Governo Federal estão fazendo visitas ao exterior com o objetivo de atrair investimentos para os projetos de infraestrutura anunciados. O país precisa se adequar a demanda global, tornar-se mais competitivo, o tempo de espera hoje nos portos é muito grande comparado a outros países.

Porto de Vila do Conde (PA)

          Em termos de escoamento da produção, o modal rodoviário não suporta a demanda e existe vocação e possibilidade para investimentos em outros modais como o aquaviário e o ferroviário.
          Acompanhei reportagem do Jornal Nacional (Rede Globo) do dia 25 de fevereiro de 2013 que mostrou o descaso com uma obra que custou 1,6 bilhões e foi apontada no governo Lula (PT) como fundamental para o escoamento da produção via hidrovía: as Eclusas de Tucuruí. De fato importante, porém estava sendo inviabilizado pelo impasse em torno de outra obra a derrocagem da hidrovia do Tocantins no pedral de São Lorenço trecho que permitirá melhoria da navegabilidade, diminuindo o custo de transporte de carga.    
          O gargalo foi tocado em reunião de trabalho que conceberá o Pólo Industrial Naval do Pará, iniciativa que aproveitará o potencial logístico existente na região, e promoverá uma quebra de paradigma na Amazônia, a região sempre foi vista a margem da logística nacional.
          Estiveram presentes na Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SEICOM) grandes especialistas do setor naval e com suas expertises iniciaram um modelo de atuação tripartite: Governo do Estado, Empresas do Setor Naval e Universidade Federal do Pará.  
          Todos esses investimentos em conjunto viabilizarão outros como o Pólo Metal Mecânico de Marabá e também permitirão o escoamento da produção de grãos do Centro Oeste através do porto de Santarém; levarão ao aumento das operações do porto de Belém e da capacidade de Vila do Conde que fará parte do escoamento da Ferrovia Norte Sul.
          O Pará poderá se tornar em termos logísticos, estratégico para produção da Amazônia e do Centro Oeste; atrair cada vez mais investimentos que gerarão emprego e renda, promovendo assim o desenvolvimento do Estado e da região Amazônica.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um filme, Antiamericanismo e Poder

                                                      
          As recentes manifestações antiamericanas em países de maioria muçulmana motivadas por um filme amador americano que satiriza o profeta Maomé, nos mostram mais uma vez a crescente força do Islã no mundo, o que já havia sido notado na recente primavera árabe iniciada em 2010 no Egito. Grupos como a Al Qaeda e Hezbolah inflamam as ações de protesto que já eram grandes e crescem cada vez mais; a região se torna mais do que nunca um barril de pólvora para os norte americanos.
          É sempre importante lembrar que o islamismo é essencialmente pacífico, é uma das grandes religiões monoteístas e cresce em ritmo espantoso, é contraditório observarmos hoje a violência e intolerância de alguns adeptos. Entretanto, pela atuação hegemônica e estratégica dos Estados Unidos no globo e em especial no Oriente Médio desde o último século esse sentimento foi aflorado e é manobrado por grupos financiadores do terrorismo, principal ameaça a segurança dos EUA nos dias atuais.
          Foi constatado esse embate atual entre ocidente e mundo islâmico pelo cientista político norte americano Samuel P. Huntington na teoria chamada de choque de civilizações – a teoria dá nome ao próprio livro, “Choque de Civilizações e a Reconstrução da Ordem Mundial” – Segundo Huntington os conflitos pós-guerra fria seriam motivados pelos aspectos culturais; e dentre as diferentes civilizações a ocidental e a islâmica seriam as que estariam em constante confronto cultural, político e ideológico.  
          Não bastasse o fechamento de diversas embaixadas pelo mundo Árabe – inclusive o Google agiu e proibiu a reprodução do filme em alguns países islâmicos - motivados pela morte do embaixador americano no Líbano Christopher Stevens, a situação se torna mais delicada e estratégica para o atual governo Americano.
Manifetantes queimam bandeira Americana. Fonte: Google


          Assisti declarações do primeiro ministro israelense Benjamim Netanyahu, sobre a necessidade dos Estados Unidos pressionarem o Irã de forma mais efetiva no que Israel e a comunidade internacional reconhecem há muito tempo como manobras para fabricar a bomba atômica através de enriquecimento de urânio, o que não é novidade, mas cabe observar que a declaração vem a pouco tempo das eleições nos Estados Unidos e em um momento que Barack Obama precisa conquistar a confiança do eleitorado indeciso para poder aumentar a possibilidade de uma reeleição. Israel é um forte aliado no Oriente Médio e ator financeiro sempre importante nas disputas eleitorais. Netanyahu se posiciona cada vez mais pró Mitt Romney – candidato republicano – que promete política oposta à adotada por Obama durante os quatro anos de mandato.  
          Ao virar nosso olhar para a Ásia e para as outras potências membros do conselho de segurança da ONU, porém não alinhados com os EUA guardadas as devidas proporções como são Rússia e China – os outros membros são França e Inglaterra - constatamos que é uma “cumbuca” no qual os gigantes territoriais não estão dispostos a colocar a mão.
          O governo contestado de Vladimir Putin apesar de preocupa-se com os planos de intervenção internacional na Síria que é um parceiro na região, não tem ambição de rivalizar influência com os EUA no Oriente Médio.  Continuará seu plano de perpetuar-se no poder a todo custo, inclusive cerceando a liberdade de imprensa e lucrar com seus gasodutos transiberianos e europeus.
          Os Chineses preferem continuar a explorar sua mão de obra barata, investir em recursos minerais estratégicos e continuar a movimentar sua gigantesca economia. Com isso, o Tio San certamente continuará sendo ator importante no Oriente Médio, porém resta saber: com o mesmo poder de influência?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

2012: Certezas e incertezas de um novo mundo Árabe


          Entramos em 2012 e surge logo uma dúvida em relação ao grande acontecimento de 2011, às revoluções que derrubaram ditadores em países do Norte da África e Oriente Médio conhecido como primavera Árabe, é possível afirmar que estes países, passarão a adotar um mesmo modelo de sociedade?
          Na região, um observador privilegiado é a Turquia, que vem tendo papel destacado na geopolítica do Oriente Médio, obteve êxito juntamente com o Brasil na negociação nuclear com o Irã em 2010, apesar de contestada pelos EUA. Se empenha a tempos para entrar na União Européia, e possui uma sociedade em que convivem harmonicamente as três maiores religiões monoteístas do mundo: Islamismo, Judaísmo e Cristianismo; na minha opinião, esse pode ser um modelo seguro de sociedade aos países da primavera Árabe.    
          No momento, as manifestações no Egito mostram que a sociedade não está satisfeita, e ao analisarmos revoluções anteriores, perceberemos que quando os líderes revolucionários uma vez no poder não atendiam as aspirações de mudanças do povo, passavam a serem vistos como os governos anteriores. E no caso do Egito há um fator agravante, pois quem passou a controlar o país foram os militares, na maioria das vezes vistos com receio pela população, assim é possível que ocorra outra revolução; os Islâmicos ocupam hoje 70% das cadeiras do parlamento egípcio, além de ser forte a presença da Irmandade Muçulmana na articulação das manifestações, embora aparentemente discreta, dessa instituição brotaram grupos radicais como o Hamas e o terrorista Al Qaeda.
          Diferente da revolução da Líbia onde os revolucionários pegaram em armas; no Egito ocorreu de forma não violenta. Assim, é improvável até o momento afirmar que as mudanças se darão de forma semelhante em todos os países, sobretudo porque a tensão continua na Síria lugar das maiores incertezas quanto ao futuro. É necessário aguardarmos os próximos acontecimentos; no entanto uma coisa é certa nesse novo cenário, a força do povo Árabe e Muçulmano; esse floresce de fato para o novo milênio. E disse certa vez, um dos grandes articuladores do movimento não violento contra o regime do Apartheid na África do Sul, Desmond Tutu “quando o povo decide que quer ser livre, não há nada que possa impedi-lo”. Portanto, essa certeza os ditadores que persistem no poder devem ter, se tratando das aspirações de mudança mais profundas do povo, não menospreze, é provável que sejam alcançadas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Meio Ambiente e o risco da ingerência para o Brasil

           Acompanhei a reportagem no dia 21 de abril de 2011, do Jornal Nacional (Rede Globo), que mostrou o risco do grande número de hidrelétricas construídas nos rios do Pantanal, um bioma que quase se confunde com o amazônico, já foi constatado mudanças nos níveis das águas o que, conseqüentemente, vêm acarretando alterações na biodiversidade da região. Essas alterações são conhecidas no Brasil e no exterior e apresentam um perigo não só para o meio ambiente, mas creio, também geopolítico para o Brasil. Algumas organizações internacionais já se manifestaram em relação ao modelo de desenvolvimento adotado pelo país, a Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, solicitou ao Brasil que parasse os procedimentos de construção da hidrelétrica de Belo Monte no Estado do Pará.
          Intervenções como esta ameaçam a soberania do Brasil e podem levar a ingerência no país, especialistas em Relações Internacionais apontam que a ingerência passou a ser uma doutrina e isso foi confirmado pelo General Heleno – ex-comandante do Exército na Amazônia – no programa Canal Livre da TV Bandeirantes em 15 de maio de 2011. Na ocasião o General apontou as condições precárias do Exército Brasileiro na fronteira e a necessidade de uma valorização das forças armadas no contexto de maior importância do país no cenário internacional. 
          Acredito que para o Brasil, ações estratégicas como a reativação da quarta frota dos Estados Unidos devem ser levadas em consideração, principalmente porque a região Amazônica atualmente desperta interesses do mundo, é a última grande fronteira de recursos e é considerada estratégica internacionalmente, sendo fundamental ao Brasil se tornar cada vez mais conhecedor das potencialidades da floresta e de sua viabilidade em pé do que derrubada.

sábado, 26 de novembro de 2011

As potências e o "apetite" por recursos naturais

          O controle de recursos naturais é estratégico para os países desenvolvidos, ao longo do tempo com a contínua exploração em seus territórios, os recursos que possuíam terminaram e seu desempenho passou a depende das fontes energéticas que se localizam em países periféricos, essa necessidade passou a ter um forte componente geopolítico, essa dependência foi mais bem revelada recentemente pelo site Wikileaks, esse aponta que segundo documentos secretos da diplomacia dos Estados Unidos existem pontos estratégicos para a economia e a segurança do país, a lista vai desde cabos submarinos até jazidas de Nióbio e manganês no Brasil.
          Essa preocupação com o Nióbio é explicada pelo fato do Brasil ser o maior produtor, ter 88% das reservas mundiais, uma vez que as reservas americanas são de baixa qualidade, alta complexidade geológica e economicamente inviável, o mineral é componente essencial para construção de motores de mísseis e de caças de alto desempenho além de utilização em outros campos, porém, a grande meta é a utilização para desenvolvimento de supercondutores o que traria possibilidade de novos componentes eletrônicos para computadores de alto desempenho a sistemas de levitação para trens de alta velocidade; o manganês por sua vez é o minério que compõe quase tudo, tem o Brasil como segundo maior produtor, sem ele o aço é um metal frágil, e o alumínio só serviria para produzir panelas.
          Recentemente um grupo asiático, fez aquisição de 15% de participação na produtora mineira de nióbio, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), um claro indicativo do interesse que algumas nações têm em matérias-primas estratégicas.
          O Deputado Federal Enéias Carneiro (PRONA) denunciou em 2006 em um programa de TV, poucos anos antes de falecer, o “assalto” que está ocorrendo com o Nióbio do Brasil, em um esquema pouco divulgado pelos meios de comunicação e que conta com a conivência do governo, o deputado sintetizou sua preocupação com a situação dizendo o seguinte: “é o poder mundial apoderando-se das riquezas dos países ditos em desenvolvimento”.   
          A visita ao Brasil, do Presidente Barack Obama em 2011, mostra que Washington está  interessado em recursos energéticos, tanto os considerados mais tradicionais como o petróleo do pré-sal, quanto os mais recentes “verdes” como o etanol.