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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Um filme, Antiamericanismo e Poder

                                                      
          As recentes manifestações antiamericanas em países de maioria muçulmana motivadas por um filme amador americano que satiriza o profeta Maomé, nos mostram mais uma vez a crescente força do Islã no mundo, o que já havia sido notado na recente primavera árabe iniciada em 2010 no Egito. Grupos como a Al Qaeda e Hezbolah inflamam as ações de protesto que já eram grandes e crescem cada vez mais; a região se torna mais do que nunca um barril de pólvora para os norte americanos.
          É sempre importante lembrar que o islamismo é essencialmente pacífico, é uma das grandes religiões monoteístas e cresce em ritmo espantoso, é contraditório observarmos hoje a violência e intolerância de alguns adeptos. Entretanto, pela atuação hegemônica e estratégica dos Estados Unidos no globo e em especial no Oriente Médio desde o último século esse sentimento foi aflorado e é manobrado por grupos financiadores do terrorismo, principal ameaça a segurança dos EUA nos dias atuais.
          Foi constatado esse embate atual entre ocidente e mundo islâmico pelo cientista político norte americano Samuel P. Huntington na teoria chamada de choque de civilizações – a teoria dá nome ao próprio livro, “Choque de Civilizações e a Reconstrução da Ordem Mundial” – Segundo Huntington os conflitos pós-guerra fria seriam motivados pelos aspectos culturais; e dentre as diferentes civilizações a ocidental e a islâmica seriam as que estariam em constante confronto cultural, político e ideológico.  
          Não bastasse o fechamento de diversas embaixadas pelo mundo Árabe – inclusive o Google agiu e proibiu a reprodução do filme em alguns países islâmicos - motivados pela morte do embaixador americano no Líbano Christopher Stevens, a situação se torna mais delicada e estratégica para o atual governo Americano.
Manifetantes queimam bandeira Americana. Fonte: Google


          Assisti declarações do primeiro ministro israelense Benjamim Netanyahu, sobre a necessidade dos Estados Unidos pressionarem o Irã de forma mais efetiva no que Israel e a comunidade internacional reconhecem há muito tempo como manobras para fabricar a bomba atômica através de enriquecimento de urânio, o que não é novidade, mas cabe observar que a declaração vem a pouco tempo das eleições nos Estados Unidos e em um momento que Barack Obama precisa conquistar a confiança do eleitorado indeciso para poder aumentar a possibilidade de uma reeleição. Israel é um forte aliado no Oriente Médio e ator financeiro sempre importante nas disputas eleitorais. Netanyahu se posiciona cada vez mais pró Mitt Romney – candidato republicano – que promete política oposta à adotada por Obama durante os quatro anos de mandato.  
          Ao virar nosso olhar para a Ásia e para as outras potências membros do conselho de segurança da ONU, porém não alinhados com os EUA guardadas as devidas proporções como são Rússia e China – os outros membros são França e Inglaterra - constatamos que é uma “cumbuca” no qual os gigantes territoriais não estão dispostos a colocar a mão.
          O governo contestado de Vladimir Putin apesar de preocupa-se com os planos de intervenção internacional na Síria que é um parceiro na região, não tem ambição de rivalizar influência com os EUA no Oriente Médio.  Continuará seu plano de perpetuar-se no poder a todo custo, inclusive cerceando a liberdade de imprensa e lucrar com seus gasodutos transiberianos e europeus.
          Os Chineses preferem continuar a explorar sua mão de obra barata, investir em recursos minerais estratégicos e continuar a movimentar sua gigantesca economia. Com isso, o Tio San certamente continuará sendo ator importante no Oriente Médio, porém resta saber: com o mesmo poder de influência?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

2012: Certezas e incertezas de um novo mundo Árabe


          Entramos em 2012 e surge logo uma dúvida em relação ao grande acontecimento de 2011, às revoluções que derrubaram ditadores em países do Norte da África e Oriente Médio conhecido como primavera Árabe, é possível afirmar que estes países, passarão a adotar um mesmo modelo de sociedade?
          Na região, um observador privilegiado é a Turquia, que vem tendo papel destacado na geopolítica do Oriente Médio, obteve êxito juntamente com o Brasil na negociação nuclear com o Irã em 2010, apesar de contestada pelos EUA. Se empenha a tempos para entrar na União Européia, e possui uma sociedade em que convivem harmonicamente as três maiores religiões monoteístas do mundo: Islamismo, Judaísmo e Cristianismo; na minha opinião, esse pode ser um modelo seguro de sociedade aos países da primavera Árabe.    
          No momento, as manifestações no Egito mostram que a sociedade não está satisfeita, e ao analisarmos revoluções anteriores, perceberemos que quando os líderes revolucionários uma vez no poder não atendiam as aspirações de mudanças do povo, passavam a serem vistos como os governos anteriores. E no caso do Egito há um fator agravante, pois quem passou a controlar o país foram os militares, na maioria das vezes vistos com receio pela população, assim é possível que ocorra outra revolução; os Islâmicos ocupam hoje 70% das cadeiras do parlamento egípcio, além de ser forte a presença da Irmandade Muçulmana na articulação das manifestações, embora aparentemente discreta, dessa instituição brotaram grupos radicais como o Hamas e o terrorista Al Qaeda.
          Diferente da revolução da Líbia onde os revolucionários pegaram em armas; no Egito ocorreu de forma não violenta. Assim, é improvável até o momento afirmar que as mudanças se darão de forma semelhante em todos os países, sobretudo porque a tensão continua na Síria lugar das maiores incertezas quanto ao futuro. É necessário aguardarmos os próximos acontecimentos; no entanto uma coisa é certa nesse novo cenário, a força do povo Árabe e Muçulmano; esse floresce de fato para o novo milênio. E disse certa vez, um dos grandes articuladores do movimento não violento contra o regime do Apartheid na África do Sul, Desmond Tutu “quando o povo decide que quer ser livre, não há nada que possa impedi-lo”. Portanto, essa certeza os ditadores que persistem no poder devem ter, se tratando das aspirações de mudança mais profundas do povo, não menospreze, é provável que sejam alcançadas.