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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

2012: Certezas e incertezas de um novo mundo Árabe


          Entramos em 2012 e surge logo uma dúvida em relação ao grande acontecimento de 2011, às revoluções que derrubaram ditadores em países do Norte da África e Oriente Médio conhecido como primavera Árabe, é possível afirmar que estes países, passarão a adotar um mesmo modelo de sociedade?
          Na região, um observador privilegiado é a Turquia, que vem tendo papel destacado na geopolítica do Oriente Médio, obteve êxito juntamente com o Brasil na negociação nuclear com o Irã em 2010, apesar de contestada pelos EUA. Se empenha a tempos para entrar na União Européia, e possui uma sociedade em que convivem harmonicamente as três maiores religiões monoteístas do mundo: Islamismo, Judaísmo e Cristianismo; na minha opinião, esse pode ser um modelo seguro de sociedade aos países da primavera Árabe.    
          No momento, as manifestações no Egito mostram que a sociedade não está satisfeita, e ao analisarmos revoluções anteriores, perceberemos que quando os líderes revolucionários uma vez no poder não atendiam as aspirações de mudanças do povo, passavam a serem vistos como os governos anteriores. E no caso do Egito há um fator agravante, pois quem passou a controlar o país foram os militares, na maioria das vezes vistos com receio pela população, assim é possível que ocorra outra revolução; os Islâmicos ocupam hoje 70% das cadeiras do parlamento egípcio, além de ser forte a presença da Irmandade Muçulmana na articulação das manifestações, embora aparentemente discreta, dessa instituição brotaram grupos radicais como o Hamas e o terrorista Al Qaeda.
          Diferente da revolução da Líbia onde os revolucionários pegaram em armas; no Egito ocorreu de forma não violenta. Assim, é improvável até o momento afirmar que as mudanças se darão de forma semelhante em todos os países, sobretudo porque a tensão continua na Síria lugar das maiores incertezas quanto ao futuro. É necessário aguardarmos os próximos acontecimentos; no entanto uma coisa é certa nesse novo cenário, a força do povo Árabe e Muçulmano; esse floresce de fato para o novo milênio. E disse certa vez, um dos grandes articuladores do movimento não violento contra o regime do Apartheid na África do Sul, Desmond Tutu “quando o povo decide que quer ser livre, não há nada que possa impedi-lo”. Portanto, essa certeza os ditadores que persistem no poder devem ter, se tratando das aspirações de mudança mais profundas do povo, não menospreze, é provável que sejam alcançadas.

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