As recentes manifestações antiamericanas em países de maioria muçulmana motivadas por um filme amador americano que satiriza o profeta Maomé, nos mostram mais uma vez a crescente força do Islã no mundo, o que já havia sido notado na recente primavera árabe iniciada em 2010 no Egito. Grupos como a Al Qaeda e Hezbolah inflamam as ações de protesto que já eram grandes e crescem cada vez mais; a região se torna mais do que nunca um barril de pólvora para os norte americanos.
É sempre importante lembrar que o islamismo é essencialmente pacífico, é uma das grandes religiões monoteístas e cresce em ritmo espantoso, é contraditório observarmos hoje a violência e intolerância de alguns adeptos. Entretanto, pela atuação hegemônica e estratégica dos Estados Unidos no globo e em especial no Oriente Médio desde o último século esse sentimento foi aflorado e é manobrado por grupos financiadores do terrorismo, principal ameaça a segurança dos EUA nos dias atuais.
Foi constatado esse embate atual entre ocidente e mundo islâmico pelo cientista político norte americano Samuel P. Huntington na teoria chamada de choque de civilizações – a teoria dá nome ao próprio livro, “Choque de Civilizações e a Reconstrução da Ordem Mundial” – Segundo Huntington os conflitos pós-guerra fria seriam motivados pelos aspectos culturais; e dentre as diferentes civilizações a ocidental e a islâmica seriam as que estariam em constante confronto cultural, político e ideológico.
Não bastasse o fechamento de diversas embaixadas pelo mundo Árabe – inclusive o Google agiu e proibiu a reprodução do filme em alguns países islâmicos - motivados pela morte do embaixador americano no Líbano Christopher Stevens, a situação se torna mais delicada e estratégica para o atual governo Americano.
Assisti declarações do primeiro ministro israelense Benjamim Netanyahu, sobre a necessidade dos Estados Unidos pressionarem o Irã de forma mais efetiva no que Israel e a comunidade internacional reconhecem há muito tempo como manobras para fabricar a bomba atômica através de enriquecimento de urânio, o que não é novidade, mas cabe observar que a declaração vem a pouco tempo das eleições nos Estados Unidos e em um momento que Barack Obama precisa conquistar a confiança do eleitorado indeciso para poder aumentar a possibilidade de uma reeleição. Israel é um forte aliado no Oriente Médio e ator financeiro sempre importante nas disputas eleitorais. Netanyahu se posiciona cada vez mais pró Mitt Romney – candidato republicano – que promete política oposta à adotada por Obama durante os quatro anos de mandato.
Ao virar nosso olhar para a Ásia e para as outras potências membros do conselho de segurança da ONU, porém não alinhados com os EUA guardadas as devidas proporções como são Rússia e China – os outros membros são França e Inglaterra - constatamos que é uma “cumbuca” no qual os gigantes territoriais não estão dispostos a colocar a mão.
O governo contestado de Vladimir Putin apesar de preocupa-se com os planos de intervenção internacional na Síria que é um parceiro na região, não tem ambição de rivalizar influência com os EUA no Oriente Médio. Continuará seu plano de perpetuar-se no poder a todo custo, inclusive cerceando a liberdade de imprensa e lucrar com seus gasodutos transiberianos e europeus.
Os Chineses preferem continuar a explorar sua mão de obra barata, investir em recursos minerais estratégicos e continuar a movimentar sua gigantesca economia. Com isso, o Tio San certamente continuará sendo ator importante no Oriente Médio, porém resta saber: com o mesmo poder de influência?
